Atômica: Charlize Theron chutando bundas, mas não só isso

De cara já esqueça essa história de “versão feminina de John Wick“. Atômica é muito mais que isso.

As comparações são inevitáveis, uma vez que o filme estrelado por Charlize Theron herda do longa anterior do diretor David Leitch as cenas de lutas viscerais que garantem uma crueza da ação, mas se distancia desse tanto em termos de história e motivação da personagem central, quanto em termos visuais e de trilha sonora.

Ambientado nos dias que antecedem a queda do Muro de Berlim, Atômica acompanha a agente do MI6 Lorraine Broughton (Charlize Theron) em uma missão no lado Oriental para recuperar informações perdidas (que não podem cair em mãos erradas, pra não expor a galera nem começar uma guerra… aquela coisa toda, sabe?).

Sim, já vamos deixar claro que alguns elementos do enredo são comuns a vários filmes de espionagem e que Atômica tem sim alguns problemas de roteiro que acabam tornando a história um pouco mais confusa e complexa do que de fato é.

Dito isso, é preciso ressaltar que todo o trabalho de ambientação e direção do longa é fantástico. O figurino de Lorraine, predominantemente preto e branco é daqueles que eu adoraria ter em casa (apesar das golas rolê). A estética neon expande algumas experimentações visuais de luzes e cores que David Leitch já havia pincelado em John Wick. E a trilha sonora… a trilha sonora, meus amigos, é daquele new wave foda dos anos 80, que se torna ainda mais poderoso com várias versões em alemão.

Todos esses elementos são bem mesclados e por vezes suprimidos diante das – não muito numerosas, mas notadamente memoráveis – cenas de ação do filme. David Leitch deixa claro mais uma vez sua preocupação em mostrar o que está acontecendo em tela, sem se perder em planos muito fechados e cortes excessivos, o que resulta em grandes sequências (tanto em duração, quanto em qualidade).

E tudo converge e se solidifica nela: Charlize Theron. Que além de ser uma atriz fantástica, consegue assim como em Mad Max:Estrada da fúria (melhor filme de ação dos últimos anos), imprimir uma veracidade memorável em termos de ação.Lorraine chuta, de fato, muitas bundas, mas também apanha muito. E não apenas em termos físicos. Charlize consegue transmitir em sutis expressões toda a vulnerabilidade da personagem, o que não a torna menos badass, mas faz Lorraine mais humana e mais forte.

Ao lado de Theron, James McAvoy surge como David Percival, um espião cheio de ressacas e tretas que serve como contato de Lorraine na Berlim Oriental. É uma figura interessante, bem interpretada inclusive por McAvoy, mas que cujo maior foco em determinado momento do filme me irritou. (Eu estava meio “tá, tá… agora volta pra  Lorraine…”, mas talvez você goste mais dele).

Sofia Boutella, por sua vez, é claramente mal aproveitada no filme. Sua personagem, a agente francesa Delphine Lasalle, torna-se interesse amoroso de Lorraine, e nada muito além disso, evidenciando algumas abordagens erradas do filme.

Por exemplo, a personagem de Charlize Theron é claramente foda e também sexy, o que não é um problema. Mas quando a câmera resolve focar pela segunda vez (ênfase no segunda vez) todo o processo de prender um microfone no corpo antes de se vestir, o alarme do desnecessário dá aquela apitada. Mas enfim…

Embora não esteja livre de alguns problemas, Atômica é um avanço significativo nos filmes de espionagem, não apenas por ter uma protagonista feminina (sim, a gente quer ver cada vez mais mulheres fodas e bem construídas em filmes de ação), mas também em termos de vigor e novidade no que se refere a construção desse tipo de filme.

Fica cada vez mais claro que o gênero da espionagem ainda tem espaço para se reinventar no cinema independente da falta de rumo de franquias tradicionais. Aliás, depois de assistir Atômica, eu adoraria ver o tamanho da surra que Lorraine Broughton daria em um certo coleguinha do MI6.

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