Obrigada, Orphan Black

Um dia Sarah Manning desceu do trem e se encontrou com ela mesma. O ano era 2013 e começava assim Orphan Black. Uma série canadense de ficção científica, que abordava temas como clonagem humana, ética científica, fanatismo religioso, e acima de tudo, a união de mulheres em busca de respostas e do poder sobre si mesmas.

Sarah seria a primeira de uma série de personagens brilhantemente interpretadas por Tatiana Maslany, clones que aos poucos emergiam nesse emaranhado de mistérios e perigos. A típica dona de casa do subúrbio, a adorável cientista, a jovem perdida entre drogas e golpes e a assassina assustadora viriam a ser as faces principais de uma história muito maior do que elas.

Além de exemplificar a versatilidade de Tatiana Maslany  – cuja atuação beira a perfeição, sobretudo nas várias cenas em que uma das clones imita outra -, cada uma dessas mulheres ganhou ao longo da série um passado e uma profundidade que fez com que rapidamente tivéssemos empatia por elas e por seus dramas.

Afinal, Orphan Black é de certa forma, sobre a empatia e sobre o suporte necessário não apenas entre o clube das clones, mas também com as pessoas que faziam parte de suas vidas. Homens e mulheres, familiares, amigos ou parceiros que embarcaram juntos nessa jornada em busca de identidade e liberdade.

Seguindo uma lógica parecida com a de um jogo, ao longo de toda a série a descoberta de algum aspecto acerca da origem das clones logo desbloqueava novos mistérios de seu passado e novos perigos em seu futuro. Uma estrutura narrativa que teve certos deslizes megalomaníacos no processo, mas que reencontrou seu caminho e ao fim de suas cinco temporadas conseguiu fechar os arcos que criou.

Orphan Black conseguiu ainda explorar questões de sexualidade e gênero, ainda que não tenha usado todo o seu potencial em termos raciais. E com um protagonismo feminino raramente visto na televisão, trouxe em meio a todas as tramas de clonagem e de experimentos genéticos, discussões acerca dos diversos aspectos da maternidade e da luta das mulheres em busca de autonomia sobre seu próprio corpo e sobre suas próprias decisões.

É a união e a relação construída entre essas mulheres que as ensinou que é ok ter medo e é normal cometer erros. E ao explorar tanto os erros e os dramas grandiosos ou aparentemente banais de cada uma delas, Orphan Black deixou claro que nenhuma luta e nenhum sonho é menor ou mais banal que outro.

Ao final da série fica a certeza de que sentiremos saudades da coragem e das falhas de Sarah; do cativante sorriso de Cosima; das melhores dancinhas e das pequenas delinquências de Alison; da sestra Helena, a imprevisível “cabeça-oca”; de MK, Rachel, Krystal, Beth… e de todas as clones que lutaram, cada uma a sua maneira e com suas próprias armas, para que sua vida e seu destino fossem mais do que um experimento e mais do que uma propriedade. Por tudo isso… obrigada, Orphan Black. Obrigada, sestras.

Todos os episódios de Orphan Black estão disponíveis na Netflix

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