Entre o fascínio e o terror: uma reflexão sobre os dragões em Westeros

Em The Spoils of War, Game of Thrones finalmente colocou nas telas toda a grandiosidade e o poder de um dragão em batalha. E nem os que vibram com o fúria de Drogon, nem aqueles que se apiedam dos homens que ardem em suas chamas podem negar: existe sempre um misto de fascínio e terror diante desses seres mágicos e fatais.

Originários do antigo e glorioso império de Valíria, e trazidos para Westeros pelos Targaryens pouco antes de sua terra natal sucumbir misteriosamente, os dragões foram fundamentais para a unificação dos Sete Reinos e para a aura de mistério e divindade criada no imaginário popular acerca dos Targaryens.

Apesar de possuirem uma característica mais animalesca, os dragões são capazes de criar laços com humanos. Laços que são cultivados desde o nascimento, uma vez que era comum entre os Targaryens dar a cada príncipe e princesa um ovo de dragão, possibilitando a relação e o treinamento desde a mais tenra idade.

A seguir, confira alguns eventos nos quais essa relação de “Fogo e Sangue” moldou e definiu reinados e guerras ao longo da história de Westeros.

A conquista

(Sobre as datas: A Conquista de Aegon marca o início do atual calendário de Westeros, os eventos de Game of Thrones começam a partir do ano 297d.C [depois da Conquista]).

Quando Aegon Targaryen e suas irmãs/esposas Visenya e Rhaenys partiram de Pedra do Dragão para uma vila na foz do Água Negra dispostos a conquistar todo o continente, foram Balerion, Vhagar e Mexares suas montarias e suas maiores armas de guerra.

Aegon seria conhecido como O Conquistador, a pequena vila se tornaria Porto Real, e os exércitos das grandes casas descobririam o horror e a supremacia de três dragões num campo de batalha.

Balerion  – Montado por Aegon, Balerion era o único dos três nascido em Valíria e o maior de todos os dragões Targaryen (ele tinha 76 metros de comprimento, marca que os Dragões de Daenerys – mesmo na série – estão longe de alcançar). Conhecido como Terror Negro, pela cor de suas escamas e de seu fogo, foi Balerion quem destruiu Harrenhall, o maior dos castelos de Westeros.

Também foram as chamas do Terror Negro, responsáveis por forjar o Trono de Ferro com as espadas dos inimigos de Aegon. Balerion morreu 94 anos depois da Conquista, com mais de 200 anos de idade, e de acordo com George R.R. Martin, de velho mesmo.

Vhagar – Nascido em Pedra do Dragão, Vhagar era montado pela exímia guerreira Visenya durante a Guerra da Conquista e foi o último dos três dragões a morrer (em batalha, aos 181 anos,durante a Dança dos Dragões (ver abaixo). 

Durante a Conquista, foi com Vhagar que Visenya dominou o Vale de maneira muito sutil ao pousar no pátio do Ninho da Águia:

“Quando a regente do Vale saiu para confrontá-la com uma dúzia de guardas atrás de si, encontrou Visenya  com Ronnel Arryn sentado em seu colo, encarando o dragão maravilhado. – Mamãe, posso voar com esta senhora?” – O Mundo de Gelo e Fogo

Coroas foram entregues, joelhos foram dobrados e o pequeno lorde deu algumas voltinhas em Vhagar.

Meraxes – Rhaenys adorava voar e passava mais tempo nas costas um dragão do que os irmãos. Apesar de gostar de música e poesia, também participava das batalhas montada em Meraxes – um  dragão de olhos dourados e escamas prateadas também nascido em Pedra do Dragão.

E se Dorne foi o único reino que os Targaryens não conquistaram, também foi lá que Rhaenys e Meraxes encontraram seu fim. Dez anos depois da Conquista, durante a Primeira Guerra Dornesa, o dragão foi atingido no olho por uma seta de escorpião (sim, aquela mesma arma mostrada na série da HBO) e morreu. Não se sabe se Rhaenys caiu ou se foi esmagada por Meraxes, mas seu corpo nunca voltou a Porto Real e os anos seguintes ficaram conhecidos como a Ira do Dragão.

Mas nenhum episódio foi tão emblemático durante a Guerra da Conquista quanto o chamado Campo de Fogo, a única vez em que Balerion, Vhagar e Meraxes voaram juntos no campo de batalha. Enquanto o dragão de Aegon despejava fogo sobre os inimigos, Visenya e Rhaenys queimaram os campos de trigo ao redor das tropas do Rochedo e da Campina, prendendo os homens num horror de fogo e fumaça. As tropas Targaryen, por sua vez, estavam contra o vento, se saíram praticamente ilesas.

As forças do Rochedo e da Campina tinham cerca de 55 mil homens, cinco vezes mais que o exército Targaryen, mas ao fim da batalha, quatro mil homens morreram queimados, a casa Gardener foi extinta e o Rochedo e a Campina se renderam a Aegon.

Em tempos de paz

Mas nem só de guerras viveram os dragões dos Targaryens. Durante o longo reinado de  Jaehaerys I, o Conciliador,  e de sua esposa, a Boa Rainha Alysanne (48 d.C. a 103 d.C.),  por exemplo, o reino viveu tempos de paz e os dragões era utilizados nas viagens dos monarcas. Considerados os melhores governantes da dinastia Targaryen, Jaeherys montava Vermithor, a Fúria de Bronze, e Alysanne montava o prateado Silverwing.

Em uma viagem ao Norte, cuja comitiva do rei era composta de boa parte da corte e seis dragões, Alysanne voou com Silverwing pela Muralha e convenceu o marido a oferecer mais terras e recursos para a Patrulha da Noite.

Dança dos Dragões*

(*Não confundir: “Dança dos Dragões” é o quinto livro da obra de George R.R. Martin, mas também é o nome dado a uma guerra civil da história de Westeros)

“Dragão lutou com dragão com dentes, garras e fogo.” – A Princesa e a Rainha

Imagine todas as tretas políticas e batalhas de Game of Thrones, agora some a isso pelo menos 16 dragões adultos sendo utilizados por ambos os lados do conflito. O resultado é a Dança dos Dragões (129d.C  a 131d.C), um sangrento conflito entre dois ramos da casa Targaryen que dividiu o reino e foi crucial para a extinção dos dragões.

Teve rei mandando seu dragão devorar seu inimigo, bastardo roubando seu próprio dragão, traições e mortes misteriosas, atitudes desesperadas e suicidas da população, e muito fogo e sangue. E ao final, além de um reino despedaçado, apenas quatro dragões vivos.

Como são muitos os eventos e dragões envolvidos, seguem apenas alguns pontos da Dança dos Dragões, narrados no conto A Princesa e a Rainha:

O conflito: Toda o conflito começou com a disputa entre Rhaenyra, a filha mais velha do rei e seu meio-irmão Aegon II pela coroa. No início, Rhaenyra tinha seis dragões ao seu lado e Aegon três (entre eles Vhagar, o último dos dragões da conquista, que matou três dragões ao longo da Dança).

Os dragões selvagens: Como acreditava-se que só aqueles com sangue valiriano conseguiam domar dragões, Rhaenyra ofereceu terra e riquezas aos bastardos Targaryens que controlassem os três animais cujos montadores haviam morrido e os três dragões selvagens para ajudá-los no conflito. Muitos tentaram, muitos morreram e outros tantos se queimaram. Alguns conseguiram, sendo uma garota de dezesseis anos chamada Nettles a única a domar um dos selvagens.

Batalhas e mortes: Ao longo da Dança, dez dragões foram mortos por outros dragões, e outros dois foram abatidos de alguma forma por soldados inimigos.

Assalto ao Fosso dos Dragões: Mas nem todos os dragões morreram em batalha. Perto do fim da Dança, parte da população de Porto Real, desesperada e enlouquecida, invadiu o Fosso dos Dragões. Centenas foram queimados, mas os quatro dragões que estavam lá pereceram. Três animais jovens foram mortos com lanças, espadas e machados, e Dreamfire foi esmagado quando parte da estrutura desabou.  Durante o caos, o filho da rainha montou no dragão da mãe para tentar salvar o seu. Syrax, porém, não reconheceu seu montador e o princípe sem sela caiu para a morte. O dragão da rainha também acabou morto pela população.

Sobreviventes: Dos “dragões de castelo”, dois sobreviveram à Dança: o jovem Morning, e o velho Silverwing, que virou selvagem depois disso. Entre os selvagens, dois desapareceram ao final da guerra: Sheepstealer, com sua montadora Nettles; e Cannibal, que nunca foi domado.

Extinção

Depois da Dança, poucos dragões sobreviveram, e os que nasceram eram criaturas atrofiadas e pequenas, sem nada do esplendor dos seus antepassados. O último dragão morreu em 153 d.C., quase cento e cinquenta anos antes do início dos eventos narrados em Game of Thrones.

Houveram posteriores tentativas de trazer os dragões de volta à vida, todas elas desastrosas. Em 256 d.C., uma tentativa de chocar ovos resultou na Tragédia de Solarestival, um incêndio que matou o rei Aegon V e parte de sua corte. Pouco antes disso, em 232 d.C.,  Aerion, um príncipe cruel e louco, bebeu uma taça de fogovivo na esperança de transformar-se em um dragão. E adivinha? Não deu certo.

O “som dos dragões” só voltaria a ecoar em 298 d.C., quando Daenerys conseguiu chocar três ovos. Mas essa história a gente já conhece…

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