Crescer é perceber que a Lufa-Lufa era a melhor casa

Aviso: este texto não é uma “propaganda da minha casa” (até porque de acordo com o Pottermore sou Grifinória), mas uma reflexão sobre a mensagem da obra de JK Rowling.

Tanto dentro das histórias do mundo de Harry Potter quanto no próprio fandom da série sempre houve um certo preconceito em relação à Lufa-Lufa (Hufflepuff, no original), considerada a casa mais sem graça de Hogwarts, a dos figurantes, do resto…

“Sei que vou ficar na Sonserina, toda nossa família ficou lá, imagine ficar na Lufa-Lufa, acho que eu saía da escola, você não?” – Draco Malfoy

E verdade seja dita, o espaço dado a Lufa-Lufa nos filmes – e até mesmo os livros – deixa bastante a desejar, contribuindo para aumentar esse sentimento de desinteresse pela casa.

Mas ao analisar o universo criado por JK Rowling fica claro que mesmo não estando sob os holofotes, é a casa criada por Helga Hufflepuff que sintetiza melhor toda a mensagem de aceitação e amizade tão característica da saga.

“Ensinarei a todos e os tratarei com igualdade” – Helga Hufflepuff

É inegável que coragem, inteligência e astúcia são características essenciais para o desenvolvimento de uma sociedade, por isso é natural que Godric Gryffindor, Rowena Ravenclaw e Salazar Slytherin tenham decidido escolher para si o grupo de jovens que mais se adequasse àquilo que cada um considerava mais prioritário e importante para a formação de um bruxo – e consequentemente para o papel que iriam desempenhar na sociedade depois.

Mas ainda que só Slytherin ostentasse o discurso de ensinar apenas os bruxos de sangue puro, Gryffindor e Ravenclaw também selecionavam determinados alunos em detrimento de outros numa triagem que levava em consideração as características pessoais e não o sangue, mas que não deixava de ser uma seleção.

E é aí que entra a importância de Helga Hufflepuff e o impacto que sua decisão teve no mundo bruxo. É a partir dessa escolha de uma das fundadoras de Hogwarts em acolher a todos sem distinção que características menos gloriosas – mas igualmente importantes – como lealdade, empatia, modéstia e esforço passam a ser valorizadas na formação de um bruxo.
É bem verdade que a casa fundada por Helga Hufflepuff é a que menos formou bruxos das trevas ao longo da história e que na Batalha de Hogwarts só Grifinória, a casa dos corajosos, teve mais combatentes que a Lufa-Lufa. Mas são nos pequenos gestos e situações narrados ao longo dos livros que percebemos que existe um senso de justiça e de bondade muito grande nos lufanos.

“Diggory pegou o pomo – informou Jorge. – Logo depois de você cair. Ele não percebeu o que tinha acontecido. Quando olhou para trás e viu você no chão, tentou paralisar o jogo. Queria um novo jogo.”

Seria injusto, no entanto, afirmar que a grandeza da casa está só no modo como seus integrantes se relacionam com as pessoas. A Lufa-Lufa e seus estudantes têm sim suas próprias conquistas e realizações. Newt Scamander tornou-se o mais famoso magizoologista e a maior autoridade em animais mágicos do mundo bruxo; Ninfadora Tonks foi uma jovem divertida e destrambelhada, mas que como auror tinha a perigosa profissão de combater bruxos das trevas. E sem nenhum comensal da morte fazer suas maracutaias – e  o plot do livro exigir – Cedrico Diggory foi o campeão escolhido por suas habilidades mágicas para representar Hogwarts no Torneio Tribruxo.

Depõem ainda a favor dos méritos e da importância da Lufa-Lufa, outras figuras de lufanos gente fina como a professora Pomona Sprout de Herbologia ou o Frei Gorducho, o fantasma da casa. Isso sem falar que a  Lufa-Lufa é a casa da própria JK Rowling.

Mas para muitos leitores sempre pareceu mais interessante estar no centro da trama e das tretas envolvendo Grifinória e Sonserina, ou expressar toda a paixão pelos estudos na Corvinal. Estar mais de boa como a Lufa-Lufa por muito tempo foi a primeira escolha e o principal desejo de uma parcela bem menor dos fãs de Harry Potter – e é inegável que existe uma relação muito profunda naqueles que entenderam essa mensagem da casa do texugo desde o começo.

A grande questão é que depois que a gente cresce e começa entender mais a fundo as camadas e reflexões propostas por JK Rowling ao longo de toda a saga, o sentimento de aceitação, empatia e inclusão expresso pela Lufa-Lufa se torna ainda mais forte, e sua mensagem ainda mais necessária dentro da mitologia criada acerca do mundo bruxo.  E a acolhedora sala comunal com jeitinho de toca Hobbit parece ainda mais convidativa… ser do lado da cozinha é só um detalhe.

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