“Qual é o oposto de um massacre? Em minha experiência, uma palestra.”

Com seus robôs emojis, Smile parecia à primeira vista um inocente episódio sobre a evolução da comunicação e a artificialidade com que expressamos nossas emoções. Mas assim como as carinhas amarelas captam somente a superfície de toda uma gama de sentimentos humanos, a reflexão sobre a comunicação é apenas a fachada de um episódio que trata de temas como a importância da tristeza e do luto, a relação com o nativo e o diferente e a essência do que é uma civilização.

O segundo episódio da décima temporada começa imediatamente após o fim de The Pilot e segue a excelente dinâmica de questionamentos que Bill faz a seu tutor. O Doutor faz clássica pergunta “passado ou futuro” ao mesmo tempo em que reapresenta conceitos importantes da série como o fato dele ter roubado a Tardis e a ideia de que é preciso negociar com ela o limiar de onde se quer ir e onde é preciso estar.

Assim como tantas companions antes dela, Bill escolhe ir para o futuro, e o faz para saber se ele é feliz. E esse otimismo da nova companion – cativante desde sua primeira cena – e principalmente sua gratidão ficam ainda mais evidentes ao longo do episódio quando ela agradece ao Doutor por levá-la naquela viagem e quando diz que ele é um tutor incrível.

E o mundo que eles encontram é de fato admirável. As incríveis instalações Cidade das Artes e das Ciências em Valência, na Espanha, recebem uma acertada dose de CGI para se transformar em uma minimalista e perfeita colônia para humanos que saíram da terra em busca de um novo lar.  Aqui a menção do Doutor de ter cruzado com algumas dessas naves que abandonaram a terra é uma referência a episódios com The Beast Below, quando o Décimo Primeiro Doutor e Amy Pond encontram uma colônia que vive em cima de uma baleia espacial.

A perfeição da colônia apresentada em Smile, no entanto,  se desfaz quando os Emojibots começam a exterminar os humanos responsáveis pelos preparativos do local. Interface dos robôs Vardys, criados para satisfazer as necessidades humanas a partir da expressão de sentimentos, os robôs com cara de emoji matam porque entendem a tristeza e o pesar como uma praga que precisa ser eliminada.

Ecoando conceitos explorados em produções como Divertidamente, o episódio trabalha a ideia de que sentimentos como o luto e a tristeza não são falhas que precisam ser corrigidas, mas fazem parte da complexidade que nos torna humanos. Sutilezas que a comunicação nem sempre consegue captar e que a linguagem de emojis definitivamente não consegue.

É por aprimorar-se sem entender as nuances do ser humano que os Vardys matam os pastores que preparavam aquela colônia para recebeu um povo. E é por medo e principalmente por não querer entender o desconhecido que os humanos despertos decidem vingar-se com armas e mortes. Assim também, é por entender a posição de cada um dos povos e impedir um massacre de ambos os lados que o Doutor interfere.

Robôs podem ser resetados, mas pessoas precisam ouvir, sentir empatia e aceitar o outro antes de mudarem “sua programação”. As palavras do Doutor demoram para serem ouvidas, mas ecoam na promessa de que uma nova civilização pode se erguer a partir do momento em que nativos e colonizadores, homens e máquinas possam coexistir em harmonia; e sobretudo, a partir da compreensão de que nossos desejos e emoções são muito mais profundos que uma carinha amarela ou um sinal de joinha.

Em tempo: O início do episódio também traz algumas respostas e muitas perguntas sobre o misterioso cofre que vimos em The Pilot. Em Smile fica claro que guardar o cofre não é apenas uma resolução do Doutor, mas uma obrigação baseada em uma promessa. Mas uma promessa feita a quem? E qual o papel do Nardole nessa história?

A julgar pelo fim de Smile, uma coisa é certa: a escapadinha do Doutor não deve passar despercebida e sua ausência terá consequências. Ou seja, com certeza veremos um certo Senhor do Tempo “correndo feito um pinguim com o traseiro pegando fogo” para consertar tudo isso.

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