Punho de Ferro chega à Netflix como a quarta e última série solo dos heróis urbanos da Marvel antes de sua reunião em Defensores, série prevista para o segundo semestre.

E se Demolidor apresentou uma impecável qualidade técnica e estabeleceu esse universo, Jessica Jones trouxe uma distinta e interessante história sobre abuso e trauma, e Luke Cage atualizou e adequou as características do herói para os dias de hoje, Punho de Ferro, por sua vez, hesita em abordar os elementos místicos do personagem e acaba por se tornar das quatro, a  série com menos identidade e mais enrolação.

A história acompanha Danny Rand (Finn Jones), um jovem herdeiro de uma corporação bilionária que perdeu os pais em um acidente no Himalaia, foi resgatado por monges e treinado em uma cidade mística até ganhar o título de Punho de Ferro, e que agora já adulto, volta para Nova York.

A trama dos primeiros episódios gira em torno das tentativas de Danny de provar sua identidade e o que poderia ser resolvido em uns dois episódios, se estende por uns cinco. Além disso, a inocência do personagem, inicialmente apresentada como um traço interessante e verossímil vai se tornando irritante e até insuportável e dificulta a identificação e a empatia do público com o herói, fato que se agrava com a inserção de um flashback específico a la Bruce Wayne repetido exaustivamente.

Paralelo a isso, somos apresentados a Ward (Tom Pelphrey) e Joy Meachum (Jessica Stroup), filhos do sócio do pai de Danny, que comandam as empresas Rand atualmente. Toda a trama corporativa que se desenvolve através dos Meachum é interessante, porém um pouco descolada da figura de Danny, o que dá a impressão em alguns momentos de Punho de Ferro de que estamos vendo duas séries diferentes.

Além da trama corporativa, o aspecto de vigilante do Punho de Ferro é apresentado mais uma vez por meio de tretas que envolvem o tráfico de drogas e a atuação da máfia na cidade. Mas esqueça antagonistas icônicos como o Rei do Crime e o Boca de Algodão, em Punho de Ferro existe um sério problema de diluição da figura do vilão. A série tem pelo menos umas quatro trocas de antagonistas ao longo de seus 13 episódios, o que faz com que até a fantástica e misteriosa Madame Gao (Wai Ching Ho) seja subaproveitada na série.

Do lado dos aliados do Punho de Ferro, no entanto, temos a ótima adição de Jessica Henwick, fantástica como Colleen Wing, a lutadora e mestre em um dojo que acaba por cruzar o caminho de Danny Rand.

Também vemos a volta de Rosario Dawson como Claire Temple, já que como em todas as séries da parceria Marvel Netflix , sempre há um super herói para ser remendado e consertado. Punho de Ferro conta ainda com a participação da advogada Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss), apresentada em Jessica Jones.

E se Colleen, Claire e Jeri estão fantásticas, isso torna ainda mais evidente um dos problemas de Punho de Ferro: todo mundo é mais legal e interessante que o Punho de Ferro!

O fato de Danny ser meio insosso e bem leite com pera a gente até releva, porque faz sentido dentro do personagem, mas a sua falta de carisma e fodacidade como Punho de Ferro é difícil de engolir. As lutas embora bem coreografadas não superam, mas estão quase no nível das de Demolidor, o que até seria aceitável se não fosse o fato do Punho de Ferro ser um dos maiores mestres de artes marciais da Marvel.

Fica a sensação de “como é que esse moleque que apanha pra capanga e não consegue se controlar diante da mínima provocação virou o Punho de Ferro? Ok, ele não terminou o treinamento, mas ele ficou 15 anos lá e não aprendeu nada?”

Além disso, na busca por manter a estética mais urbana e realista das séries anteriores, a Marvel e a Netflix optaram por mostrar o mínimo possível dos aspectos místicos do Punho de Ferro, o que resulta não só nos efeitos mais contidos – e um pouco decepcionantes – do punho como arma, como também na quase inexistente presença de flashbacks do treinamento de Danny e dos vislumbres da mítica cidade de Kun Lun.

Punho de Ferro, não é o desastre completo que boa parte da crítica, sobretudo internacional, pintou, tendo bons momentos principalmente envolvendo personagens como Colleen e Ward. Mas a série é sim, a mais problemática das dos heróis urbanos da Marvel, cometendo inclusive uma série de deslizes de continuidade e de roteiro.

A torcida agora é de a Netflix e a Marvel percebam as questões em que erraram a mão em Punho de Ferro, e se concentrem para recarregar seu chi, afinal, Defensores tem tudo para ser o mais fatal e bonito dos golpes da parceria.

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