Em dado momento do filme alguém diz que “não há nada mais texano que ver criminosos pagando o banco com dinheiro roubado do próprio banco”. E é a partir dessa ideia de justiça feita com as próprias mãos que o roteirista Taylor Sheridan e o diretor David Mackenzie constroem A Qualquer Custo, um drama que se inspira nos clássicos faroestes para contar a história de cidades esquecidas e endividadas depois da crise de 2008.

Chris Pine e Ben Foster são os irmãos Toby e Tanner Howard que decidem roubar pequenas quantias das filiais de um banco para poder quitar a hipoteca do rancho e das terras de sua recém falecida mãe. Jeff Bridges (merecidamente indicado ao Oscar de Melhor Ator) e Gil Birmingham são os Texas Rangers Marcus Hamilton e Alberto Parker, encarregados de perseguir os ladrões.

A Qualquer Custo, no entanto, passa longe de ser uma mera perseguição entre bandidos e mocinhos, e apresenta diversas nuances e camadas para cada personagem. Toby é o cara comum que falhou tentando fazer as coisas do jeito certo e agora quer garantir o futuro da família; já o irmão Tanner passou anos na prisão e sabe que não tem nada a perder, violento e impetuoso, é o ladrão profissional – o que não significa que saiba o que está fazendo. E apesar de amarem-se incondicionalmente, as diferenças entre os irmãos vão se tornando mais latentes ao longo de cada ato e cada escolha de sua desesperada jornada.

Do lado dos policiais, Hamilton está às vésperas da aposentadoria, mas tenta adiá-la ou pelo menos encerrar a carreira de forma mais “gloriosa”. Ao seu lado, Alberto com suas origens indígenas e mexicanas traz uma irônica reflexão sobre a ocupação do oeste americano, ao mesmo tempo em que ouve do parceiro a mais crua e politicamente incorreta gama de piadas racistas. Afinal, nada mais texano…

Sem criar julgamentos acerca das ações e do comportamento de seus personagens, A Qualquer Custo ocupa-se de discutir a situação socioeconômica de uma região, ao mostrar as paisagens e a vida árida de locais onde a população vive cheia de armas e de dívidas, onde reina o “cada um por si” e onde a confiança nas instituições e no governo há muito tempo se foi.

Ao fazer um retrato da desilusão do homem comum, o filme aponta os efeitos da crise imobiliária de 2008 nos mais distantes recantos dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que explica, de certa maneira, a ascensão de figuras como Trump e o efeito de suas ideias em uma terra de fronteiras e vidas incertas, de homens desesperados e armas carregadas.

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