Existem histórias que precisam ser contadas e heroínas quase anônimas que precisam ser conhecidas. É no reconhecimento do trabalho e da história dessas “figuras ocultas” que está o mérito e a beleza de Estrelas Além do Tempo.

Necessário e inspirador, o filme conta de forma emocionante e bem humorada a história real das matemáticas Katherine G. Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson. Mulheres negras que lutaram dia-a-dia para que sua inteligência e seu trabalho fossem reconhecidos dentro da NASA durante a corrida espacial americana.

Com um elenco afinadíssimo, as três cientistas são figuras absolutamente cativantes com personalidades diversas e histórias próprias desenvolvidas. O protagonismo maior dentro do filme cabe a Katherine (Taraji P. Henson), uma matemática mais habilidosa do que a maioria dos homens da NASA, que embarca na missão de calcular a trajetória da missão que levou o primeiro astronauta norte-americano em órbita da Terra. Carismática e por vezes desajeitada, Katherine também tem um arco pessoal  que desenvolve sua relação com as filhas e com o coronel James Johnson (Mahershala Ali).

Mas o filme equilibra bem o tempo de tela das três personagens,  trabalhando também o caráter de liderança e firmeza da programadora Dorothy (Octavia Spencer), que batalha para garantir não apenas que as mulheres de sua equipe se tornem muito mais que “computadores coloridos”, como também não hesita em mostrar aos seus filhos a importância de manter a cabeça erguida.

Espontânea e desafiadora, Mary (Janelle Monáe), por sua vez, luta para ser a primeira mulher negra a cursar uma pós-graduação na Universidade da Virgínia, enquanto subverte os papéis de gênero dentro de casa. Em seu arco, a relação com o engenheiro Zielinski  mostra o poder e beleza da empatia.

Muito longe de ser uma ode à meritocracia, Estrelas Além do Tempo deixa claro que o verdadeiro problema está no sistema e no modo como as pessoas o assimilam. E mostra que o pessoal é político e que o racismo e o sexismo são institucionalizados e impregnados em cada olhar de reprovação, em cada pré-julgamento.

Com uma trilha sonora fantástica, o filme surpreende por saber dosar o drama da história com um tom divertido. O que rende momentos de humor, sobretudo entre as protagonistas, que não diminuem a força de sua luta e de suas conquistas.

Em Estrelas Além do Tempo, Katherine, Dorothy e Mary se apoiam, choram e riem juntas, e lutam pela chance de fazer história. Na “vida real”, as três cientistas e muitas outras mulheres incríveis foram peças fundamentais não apenas dentro da NASA, mas na ciência como um todo.  Trazer a tona a importância e a grandiosidade dessas figuras é o que faz com que Estrelas Além do Tempo conquiste não só prêmios e bilheterias, mas também corações.

Leia também: As mulheres negras que contribuíram para a conquista do espaço

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