Um toque nas cordas de seu shamisen e os origamis do menino contador de histórias ganham vida. Fotografias e mais fotografias de bonecos e cenários e nasce a magia de Kubo e as Cordas Mágicas.

Produzido com o artesanal processo de stop-motion, o filme do estúdio Laika (o mesmo de Coraline e ParaNorman) fascina tanto pela impecável qualidade técnica, quanto por uma história sensível que consegue ser divertida e melancólica, mágica e humana.

Cheio de elementos fantásticos e referências a lendas japonesas, o filme conta a história de Kubo (Art Parkinson, o Rickon de Game of Thrones), o filho de uma feiticeira e de um samurai que precisa enfrentar seu avô, o Rei Lua (Ralph Fiennes). Uma criatura que, sedenta pelo poder e cega para a humanidade, roubou um dos olhos de Kubo e está atrás do outro.

Em sua jornada, Kubo conta não apenas com seus origamis e sua própria magia, mas com a ajuda da valente Macaca (Charlize Theron) e de um esquecido Besouro Samurai (Matthew McConaughey), que mostram ao menino um novo significado para família e lealdade.

Como é próprio dos filmes da Laika, Kubo e as Cordas Mágicas entrega uma história que foge do lugar-comum das animações e que não tem medo de trabalhar temas difíceis como a morte, a depressão e a aceitação. Melancólico e tenso, o filme nos mantêm ansiosos pelo destino de Kubo, mas ao mesmo tempo sabe inserir momentos de humor inteligente e doses de otimismo e esperança.

Os desafios e o aprendizado de Kubo ao longo da história são acompanhados por uma trilha sonora que mescla elementos da música tradicional japonesa com canções como While My Guitar Gently Weeps dos Beatles, que ganha uma doce versão na voz de regina Spektor.

Mas a magia do filme jamais seria a mesma sem o irretocável trabalho de animação. Com elementos de 3D usados apenas em brilhos e raios de energia, Kubo e as Cordas Mágicas tem um dos mais expressivos stop motions da história do cinema. Os pelos da Macaca, os monstros gigantescos e as elaboradas expressões faciais foram todos esculpidos, costurados e pintados depois de serem replicados em impressoras 3D.

Esse quase inacreditável trabalho, que rendeu a Kubo e as Cordas Mágicas não só a indicação ao oscar de Melhor Animação, mas também de efeitos visuais, pode ser conferido no vídeo abaixo.

Apesar de ter um desfecho levemente apressado, Kubo e as Cordas Mágicas mostra com suas texturas e nuances e com o encanto de sua história, porque está entre as melhores animações de 2016.

O filme nos toca com a doçura de sua fantasia e com a profundidade de seus dramas, porque assim assim como Kubo, com seu olho solitário, enxerga a humanidade. E vê beleza na mortalidade e na imperfeição.

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