“A linguagem é o pilar da civilização e a primeira arma puxada em um conflito”. É nisso que acredita a Dra. Louise Banks, a linguista interpretada por Amy Adams em A chegada, e é em grande parte nessa premissa que se apoia o filme do diretor Denis Villeneuve.

Ficção científica com produção de blockbuster e ares de filme alternativo, A chegada usa uma “invasão” alienígena como pano de fundo para contar uma história sobre o poder da comunicação e o modo como o ser humano lida com o desconhecido, com o estrangeiro.

O enredo conta a história de uma linguista renomada que é contatada pelo exército americano depois que doze naves em formato de feijão gigante aparecem em diferentes e aleatórios pontos da Terra.

Sem nenhuma atividade pacífica ou não dos alienígenas, as naves pairam sobre cidades, campos e mares, intrigando autoridades e amedrontando a população. E é aí que Louise recebe a tarefa de estabelecer uma comunicação com os recém-chegados para descobrir seu propósito no planeta.

Fugindo das temáticas mais comuns dos filmes de invasão alienígena, A chegada não aposta em conflitos, explosões e combates, mas em uma ficção científica intimista e sensível que questiona a própria natureza humana.

É na busca do diálogo com seres de outro mundo que percebemos o quanto somos por vezes incapazes de nos comunicar enquanto seres humanos. E é diante da passividade de seres difusos e sem rosto que percebemos o quanto o espírito bélico está entranhado em nossa essência.

Com uma bela fotografia e a profunda trilha sonora de Jóhann Jóhannsson, A chegada constrói o mistério e a tensão por meio de um roteiro cíclico, cuja dimensão temporal  -embora sugerida ao longo do filme – só é conhecida em sua plenitude no ato final.

A atuação de Amy Adams concede à trajetória da Dra. Louise Banks um caráter humano profundo e sensível, que mostra a força do livre-arbítrio ao mesmo tempo em que questiona as consequências da plena compreensão.

A chegada possui uma mensagem pacifista e uma subtrama de drama pessoal que pode não agradar a todos, mas é inegável que o filme consegue mergulhar numa intrínseca reflexão sobre o modo como a comunicação molda quem somos, ao mesmo tempo em que mostra as dificuldade de assimilar a plenitude do desconhecido e a grandiosidade do que nos cerca.

3 comentários em “A chegada reflete o poder da linguagem e questiona a relação com o desconhecido

  1. Ancho que a história é uma das melhores. Quando vi o elenco de A chegada filme automaticamente escrevi nos filmes que deveria ver porque o elenco é realmente de grande qualidade, sobre tudo Jeremy Renner é um dos meus preferidos, por que sempre leva o seu personagem ao nível mais alto da interpretação é um dos melhores projetos.

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