Se animações como Valente e Frozen já refletiam uma mudança da Disney no sentido de repensar e atualizar o conceito de suas princesas, é em Moana que essa mudança de paradigmas encontra um ponto ideal e natural.

Em meio as ilhas da Polinésia surge a jovem filha do líder de seu povo – o que de certa forma a classificaria como “princesa” embora ela deixe claro que não quer ser chamada como tal. Forte, embora cheia de dúvidas; e independente, embora preocupada com seu povoe com sua família, Moana lembra figuras como Tiana de A Princesa e o Sapo e Mulan (inegavelmente a mais badass das princesas da Disney).

E assim como a protagonista tem elementos de outras heroínas do estúdio, o filme evoca referências a longas como A Pequena Sereia, Hercules e Lilo & Stitch. Mas engana-se quem pensa que Moana é um amontoado de mais do mesmo. O filme possui uma identidade e uma alma própria, uma combinação perfeita entre o toque delicado e emocionante que construiu o encanto das animações da Disney e uma temática contemporânea e empoderadora de sua protagonista.

A história de Moana é relativamente simples. A aventura dá o tom de uma jornada em busca da quebra de uma maldição e da salvação para o seu povo. Mas é a força e o carisma dos personagens a tornam grandiosa. Ao lado de Moana (Auli’i Cravalho), conhecemos o semideus Maui (Dwayne Johnson), uma figura em busca de redenção, mas cômica em sua arrogância. Também somos apresentados aos sempre clássicos animais das animações do estúdio, nesse caso, o porquinho Pua e galo Heihei, desprovido do “mínimo de inteligência que um ser vivo pode ter”.

Um personagem bastante emblemático em Moana é a da avó Tala, que incentiva a neta a entender quem de fato é, e seguir o chamado de seu coração. A escolha de uma mulher como a figura sábia da história não é por acaso. É Tala que conta para Moana as história de Te Fiti, a deusa-mãe que provê as riquezas das ilhas e do mar e cujo coração foi roubado.

Nessas três figuras fundamentais: a divindade, a sábia mentora, e a heroína aventureira, Moana mostra a força das mulheres, o respeito pelo sagrado e pela sabedoria feminina e o faz de um modo tão bonito e natural, o que torna a mensagem empoderadora de Moana tão forte e poderosa.

Moana é o primeiro longa em CGI dos diretores Ron Clements e John Muskers. Responsáveis por filmes como O ratinho detetive, A Pquena Sereira, Aladdin, Hercúles, o Planeta do Tesouro e A Princesa e o Sapo, os diretores aproveitam em Moana a combinação da moderna animação 3D com elementos da animação clássica – sobretudo, nas tatuagens animadas de Maui, o que resulta em um filme cujo visual é único, perfeito e criativo.

Completa a magia de Moana um elemento essencial nas animações da Disney, a trilha sonora. A música tema How Far I’ll Go reflete a personalidade da protagonista, mas felizmente não é grudenta como a hoje insuportável Let it Go de Frozen, e canções como You’re Welcome e Shiny surpreendem com uma identidade inesperada e cativante. Mas é We Know the Way que mais encanta, com poderosos tambores e trechos no idioma local, a canção é emocionante e memorável.

Com sua sempre bem-vinda ambientação não eurocêntrica, sua delicada e poderosa mensagem de empoderamento e determinação, e seu visual impecável, Moana é sem dúvida, uma das melhores animações da Disney nos últimos tempos.

Moana – a personagem – por sua vez, mostra que “estar de vestido e ter um bichinho” não é o que te faz ser uma princesa. Mas com seu adorável e impetuoso espírito de aventura, mostra acima de tudo que ser ou não uma princesa é um mero detalhe.

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