Com seis estreias de blockbusters, 2016 foi o ano dos super-heróis no cinema. Marvel Studios, Warner/DC e Fox lançaram suas apostas ao longo do ano, com alguns bons resultados e outros nem tanto. Confira um resumo do que deu certo ou não para os heróis na telona.

Deadpool – E não é que deu (muito) certo

Depois de sua inesquecível (por motivos errados) participação Wolverine Origens, por muito tempo achou-se que a figura do Mercenário Tagarela jamais ganhasse uma representação à altura no cinema. O filme do diretor Tim Miller, no entanto, provou-se uma surpresa do caralho.

Munido de um arsenal de palavrões, piadas escrotas e cenas sangrentas que a alta classificação indicativa permitiu, Ryan Reynolds soube rir de seus fracassos e papéis vergonhosos, quebrou a quarta parede e apresentou ao público um personagem por vezes insuportável – como o (nada) bom e velho Deadpool deve ser.

O filme não é isento deslizes e desperdiça um pouco da oportunidade de criar algo novo no gênero, mas é sem dúvida uma das maiores surpresas do ano. Ainda mais se considerarmos os US$ 782,6 milhões de bilheteria para um filme com um modesto orçamento de US$ 58 milhões – e olha que não estreou na China.

Batman vs Superman: Origem da Justiça – Entre Batman e Superman, sou mais a Mulher Maravilha

Ao colocar frente a frente os maiores super-heróis dos quadrinhos – e ícones da cultura pop -, a Warner/DC esperava muita coisa, a controvérsia gerada por Batman vs Superman provavelmente não era uma delas.

Divisor de opinião como talvez nenhum outro filme do gênero foi, Batman vs Superman foi aclamado por muitos e execrado por outros tantos – a vaia ao diretor Zack Snyder na San Diego Comic Con é prova disso. Hoje aliás, nove meses depois de seu lançamento,  muita gente ainda não decidiu se o filme é bom ou não.

Embora muito se criticou a atmosfera sombria do filme, o problema de Batman vs Superman não é esse, e sim o modo confuso e retalhado como a história é contada. O “fator Martha” é a mais escancarada das falhas, embora nem seja a mais séria delas.

Quanto ao elenco, Ben Affleck mostrou-se bastante competente como o Homem Morcego e Henry Cavill continuou meio pombo com seu Superman – mas aparentemente ninguém liga. Quem, no entanto, acabou sendo a mais interessante e radiosa presença no filme foi a Mulher Maravilha de Gal Gadot, que não apenas botou lá em cima as expectativas para seu filme solo, como também deixou bem claro que a “era dos super-heróis no cinema” está há muito tempo devendo um espaço decente para as heroínas.

Mas uma coisa é certa, o filme não rendeu a graninha estimada pela Warner – a bilheteria foi de US$ 873 milhões, mas não chegou no bilhão esperado. E os pauzinhos já estão sendo devidamente mexidos para que o filme da Liga da Justiça tenha outro tom e finalmente consolide o universo DC nos cinemas.

Capitão América: Guerra Civil
Não é aqueeeeela Guerra Civil, mas tá valendo

Do lado da Marvel o embate da vez foi entre Capitão América e Homem de Ferro em uma adaptação de um dos maiores clássicos dos quadrinhos : a primeira Guerra Civil.

Verdade seja dita, a Marvel Studios deixou claro desde o início que se tratava do terceiro filme do Capitão América  e não de uma reconstrução propriamente dita do conflito que dividiu e afetou praticamente toda a galeria de super-heróis da Casa das Ideias – até porque personagens fundamentais na trama dos quadrinhos seguem no rolo Marvel/Fox.

Mas é inegável que o nome Guerra Civil traz consigo um peso que não foi  – e talvez nem pudesse ter sido – devidamente mostrado em Capitão América: Guerra Civil. O embate não apenas se dá em escala muito menor, como também traz consequências mais modestas.

Mas se analisarmos o filme independente dos quadrinhos e, sobretudo, a partir do objetivo da Marvel de fazer filmes para o público em geral, Capitão América: Guerra Civil tem muitos méritos dentro do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU).

Com mais espaço para personagens como a feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), e o Homem Formiga (Paul Rudd), Capitão América: Guerra Civil aprofunda as relações e tensões estabelecidas em Soldado Invernal e fecha o arco dramático da relação de Tony Stark (Robert Downey Jr ) e a morte de seus pais.

O filme também faz muito bem a inserção de dois novos heróis ao MCU. O primeiro é o soberano Pantera Negra (Chadwick Boseman), que mostra um viés mais grave e sério aos filmes da Marvel e nos deixa loucos para ver mais da magnífica nação de Wakanda nos cinemas. O segundo é provavelmente o retorno mais esperado pelos fãs de super-heróis: o Homem-Aranha está de volta à Marvel, e a participação do herói da vizinhança (Tom Holland) em Capitão América: Guerra Civil mostra que o Homem-Aranha finalmente está no lugar e na medida certa. Não por acaso, seu filme solo com estreia em 2017 recebe o subtítulo “De volta ao lar”.

X-Men Apocalipse
Já deu de Magneto e  Jennifer Lawrence, né?

Apesar de ser a franquia que abriu as porteiras pros filmes de super-heróis a partir dos anos 2000, os reboots que não são reboots, a cronologia bizarra e a – muitas vezes justificável – desconfiança em relação à Fox, trazem a sensação de que ninguém liga muito pros filmes dos X-men.

Diferente dos filmes da Warner/DC e mais ainda dos personagens que estão com a Marvel Studios, os X-Men não causam tanto furor a cada estreia no cinema. E no caso de X-Men: Apocalipse, a arrecadação menor que seu antecessor Dias de um futuro esquecido pode  resultar em um novo reboot.

O que seria uma pena, já que uma das coisas mais interessantes do filme é a apresentação da versão jovem de personagens como Jean Grey (Sophie Turner), Scott (Tye Sheridan), Mercúrio(Kodi Smit-McPhee) e Tempestade (Alexandra Shipp). A interação na escola e fora dela é um resgate do espírito que tornou os quadrinhos e as animações de X-Men tão queridos. Mas infelizmente, esses momentos são reduzidos  para dar lugar a mais e mais cenas de ação.

Além disso, a necessidade do protagonismo de Mística de Jennifer Lawrence também continua irritando. Assim como a história de Magneto (Michael Fassbender) que sempre precisa ser contada e recontada. Existe uma necessidade de que Magneto sempre seja de alguma forma o vilão da história, ao mesmo tempo em que o personagem nunca é de fato um vilão.

Com erros e acertos, X-Men:Apocalipse evidencia mais uma vez a necessidade de que a Fox entenda que a alma e o sucesso dos mutantes está em ser uma equipe, e não no foco neste ou naquele personagem.

Esquadrão Suicida
Uma m*rda coloridinha ainda é uma m*rda

Se é difícil escolher o  melhor blockbuster de super-heróis do ano, o mesmo não pode-se dizer do pior. Esquadrão Suicida não é apenas a mais problemática produção do gênero em 2016, como também um dos mais fracos filmes de super-heróis de todos os tempos.

Com uma produção conturbada, cheia de montagens e refilmagens, o resultado final é muito diferente dos (belíssimos) primeiros trailers apresentados. Sem tom ou ritmo definido, Esquadrão Suicida parece um grande trailer frankenstein que não sabe o que de fato é.

Seu maior problema, no entanto, está em um roteiro sem sentido, evidenciado pelo objetivo pífio de uma das principais operações, e pelo fato de que a ameaça jamais existiria sem a criação do grupo. A vilã do filme inclusive, tem algumas das cenas -dançantes – mais vergonha alheia do ano.

O Coringa de Jared Leto é bem meh e sua relação abusiva com a Arlequina é completamente romantizada, o que não é só problemático, como ridículo também. Mas verdade seja dita, a atuação de Margot Robbie como Arlequina é muito boa, mas não salva todo o resto.

Doutor Estranho
As impossibilidades são infinitas?

Responsável por introduzir o universo místico da Marvel na telona, Doutor Estranho apresentou um visual incrível, um enredo contido e uma série de promessas e questionamentos sobre um futuro de possibilidades para o Mago Supremo da Terra.

Com Benedict Cumberberch como Stephen Strange,  o 14º filme do Universo Cinematográfico da Marvel apostou na temática mística e em um visual psicodélico muito diferente do que já foi visto nos filmes da Casa das Ideias. É também mais um filme carregado pela já conhecida e rentável “fórmula Marvel”, com uma certa cota de piadas e alívios cômicos e quase sempre um vilão não muito memorável.

Doutor Estranho pode ter decepcionado um pouco por não ter se arriscado mais, afinal o próprio enredo falava justamente sobre explorar as possibilidades e ir além, mas não deixa de ser um competente filme de origem para o personagem.
Para mim, ganha pontos por ter Pink Floyd na trilha sonora.

4 comentários em “As controvérsias, surpresas e decepções dos filmes de super-heróis de 2016

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