letreiro-uma-nova-esperancaQuando as primeiras linhas do famoso letreiro amarelo de Star Wars subiram pela primeira vez em Uma Nova Esperança ficamos sabendo que os rebeldes haviam alcançado sua primeira vitória contra o Império. Depois de anos de dominação, o primeiro êxito da Aliança Rebelde não foi a destruição da Estrela da Morte, mas a conquista da chance de poder destruí-la.

Curiosamente, pouco pensamos nessa primeira vitória. A urgência para que a Princesa Leia coloque a salvo os planos da Estrela da Morte faz com que não nos preocupamos em como eles chegaram até ela.

Quase quarenta anos depois do lançamento de Uma Nova Esperança finalmente conhecemos os detalhes, as escolhas e os sacrifícios feitos para que a Aliança tivesse uma chance diante da maior arma do Império.

Em Rogue One: Uma História Star Wars, primeiro spin off da franquia, somos apresentados a um  grupo de quase desconhecidos que foram fundamentais para o sucesso de Luke Skywalker e da Aliança Rebelde na Batalha de Yavin.

Usando todo o tipo de fanservice que aquece o coraçãozinho do fã de Star Wars e apresentando a enorme diversidade de planetas e criaturas – característica da franquia -, Rogue One é um filme intenso e poderoso que preenche lacunas e minimiza certas falhas da icônica história criada por George Lucas na década de 70.

Diferente dos demais filmes de Star Wars em seu tom, Rogue One não é um filme de guerra no início ao fim, mas é o longa que mais faz jus ao “wars” que dá nome a franquia. De maneira também diversa, é o filme em que o caráter maniqueísta da história dos Skywalker dá lugar a personagens com motivações e personalidades dúbias.

Em Rogue One, por mais que os objetivos sejam nobres, nem todas as ações da Aliança Rebelde são moralmente aceitáveis. Afinal, esses são tempos de guerra. E o filme aliás, mostra magistralmente os efeitos e os desdobramentos da guerra.

Mostrando não apenas batalhas, mas táticas de guerrilha, Rogue One faz paralelos  interessantes com a nossa História. O ataque às instalações imperiais em Scarif  lembra um pouco o desembarque na Normandia, na Segunda Guerra Mundial. E a cidade de Jedha soa claramente como uma Jerusalém da galáxia, com seu passado sagrado e suas ruas dominadas pelo conflito e pelo terror.

Entre os personagens novos apresentados em Rogue One, destacam-se figuras como K-2SO (Alan Tudyk), um droide imperial reprogramado cujo sarcasmo lembra um pouco o de Marvin de O guia do mochilheiro das galáxias; o guardião cego Chirrut Imwe (Donnie Yen), um crente na Força, que com sua conexão mítica supre de certa maneira a ausência de jedis no filme; além do burocrata do império Orson Krennic (Ben Mendelsohn), um vilão carreirista que exemplifica bem as disputas de poder dentro do Império.

A protagonista Jyn Erso, vivida por Felicity Jones, por sua vez, entra para a (infelizmente pequena) galeria de grandes mulheres dos filmes de Star Wars. Sua história é em grande parte o fio condutor de Rogue One, embora talvez lhe falte  um ponto de virada que justifique de maneira mais clara o seu protagonismo dentro do esquadrão Rogue One. Isso porém, não diminui sua importância dentro da trama, nem diminui a força da equipe formada.

Além dos personagens novos, rostos já conhecidos da franquia têm bastante importância dentro de Rogue One e acabam por aumentar a nostalgia e o reconhecimento que o filme causa. Destaca-se neste ponto os incríveis efeitos visuais utilizados para trazer personagens antigos de volta – o que pode causar um certo estranhamento inicial, mas que acaba sendo esquecido rapidamente.

E como não podia ser diferente, um dos grandes trunfos do filme é a volta de Darth Vader (voz de James Earl Jones) ao cinema. Sua participação embora pontual, é poderosíssima dentro de Rogue One e acrescenta certos elementos ao mito de um dos vilões mais icônicos de todos os tempos. Uma de suas cenas inclusive, é provavelmente uma das mais fodas e impressionantes do personagem em toda a franquia. Vader está ameaçador como sempre, e ao mesmo tempo mais ameaçador do que nunca.

Rogue One: Uma História Star Wars tem alguns deslizes – como uma certa falta de ritmo na primeira meia hora – mas é inegável que apesar de muito diferente da franquia principal, este spin off é extremamente Star Wars, e mais do que isso, é a prova de que é possível sim falar daquela galáxia muito muito distante sem precisar apelar sempre para a mesma história. Claro que isso não é novidade alguma dentro do Universo Expandido, mas é muito interessante ver que a saga cinematográfica também começa a ter uma ousadia maior em seus enredos.

Com um clímax que é o mais intenso e urgente de toda a franquia, Rogue One nos traz uma história repleta de sacrifícios e escolhas, de guerra e de rebelião, mas acima de tudo de esperança, do caminho para uma nova esperança.

2 comentários em “Rogue One: Uma História Star Wars – o preço e a força da esperança

  1. Também achei o filme animal!!

    Uma observação do Chris Stuckmann que achei muito interessante é que esse filme traz um impacto significativo à história original: se havia uma falha com os filmes da primeira trilogia é “pera aí, como que eles projetam um negócio desse tamanho com uma falha dessa??” – e isso aqui é explicado não só de maneira coerente, mas poética: o império obrigou um cara a trabalhar na construção da arma. Muito interessante.

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