Uma mulher se banha nua em lago até que sua égua foge levando suas roupas. Correndo entre as árvores, ela encontra um operário que a ajuda a recuperar o animal e faz um curativo em seu pé. Na mesma noite, os dois se tornam amantes e protagonizam a cena que é considerada a primeira representação de uma relação sexual no cinema não-pornográfico.

O ano era 1933 e o filme era o longa theco Êxtase do diretor Gustav Machatý. Obviamente, o filme chocou a sociedade da época, sendo publicamente condenado pelo então papa Pio XII e proibido de ser importado nos Estados Unidos.

Cheio de simbolismos, como o nome dos personagem principais: Eva e Adam,  Êxtase não foi responsável apenas por uma das mais famosas cenas de nudez, ou pela primeira cena de sexo, mas também pela primeira representação do orgasmo feminino. Sim, o longa de 1933 aborda um tema que até hoje tratato como tabu em muitos lugares do mundo.

A mulher cujo rosto foi eternizado no primeiro êxtase da sétima arte é Hedy Lamarr, atriz austríaca radicada mais tarde nos Estados Unidos. Ao longo de  sua posterior carreira em Hollyhood, Hedy participou de dezenas de filmes, sendo o mais famoso Sansão e Dalila, de 1949.

Embora Hedy Lamarr quase sempre era chamada para papéis de mulheres sensuais e fatais, engana-se quem pensa que ela foi apenas um figura voluptuosa do cinema. Sua contribuição para o mundo vai muito além da sétima arte.

Em 1940, ao lado do compositor e pianista George Antheil, Hedy patenteou, com seu nome de batismo Hedwig Eva Maria Kiesler,  o chamado “frequency hopping”. Um sistema de frequências múltiplas aleatórias que ajudava a criar códigos criptografados  para a comunicação.

O sistema, inicialmente recusado pela Marinha dos EUA, foi usado em larga escala vinte anos depois, durante a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, quando serviu para fornecer comunicações seguras entre as embarcações que estavam no bloqueio naval.

A invenção de Hedy contribuiria mais tarde para o desenvolvimento de tecnologias de redes sem fio como o Bluetooth e o Wifi. O conceito de frequências múltiplas aleatórias, aliás,  é o que faz com que as conversas por celular não fiquem cruzadas.

Ou seja, se hoje você está aí procurando na internet as cenas de Hedy Lammar correndo nua pelos campos da Tchecoslováquia isso só é possível graças a contribuição científica da própria “Ecstasy Girl”.

“Certa vez, em uma reunião de negócios sobre um filme, Hedy só conseguia prestar atenção na câmera de última geração levada por uma pessoa. Ela ficou vidrada na máquina, querendo saber como funcionava. A tecnologia não saia da mente dela. Talvez, se o cinema não tivesse surgido em sua vida, ela teria sido uma cientista”.

Evânio Alves, autor do livro “As divas na cozinha — Histórias e receitas das estrelas da música e do cinema”.

 

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