“Mas se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos”.

De um livro desconhecido ganho aos 15 anos, até a primeira tatuagem, o trabalho de conclusão de curso, e uma das mais intensas paixões literárias. Quem me conhece sabe da minha ligação com García Márquez, algumas pessoas inclusive me ligaram ou mandaram mensagem quando ele morreu. Assim, como se fosse parente.

015789674_30300

Mas afinal, quem é Gabriel García Márquez?

Entre escorpiões e borboletas amarelas,o jornalista e escritor colombiano mostrou ao mundo a mágica e real América Latina, e tornou-se um dos mais importantes nomes da literatura mundial.

Gabo,como era chamado pelos amigos mais próximos, ficou conhecido mundialmente a partir da publicação de Cem Anos de Solidão em 1967 e foi posteriormente reconhecido ao receber o Nobel de Literatura de 1982. Seus livros foram traduzidos para 36 idiomas e venderam mais de 40 milhões de cópias por todo o mundo.

Suas obras são fundamentadas em personagens extremamente humanos e complexos, cujas histórias são cheias de acontecimentos fantásticos, que se tornam perfeitamente reais a partir de uma escrita que tenta se aproximar ao máximo da oralidade das histórias e lendas latino-americanas, e principalmente do tom de voz quase que inalterado que sua avó usava para lhe contar histórias.

O jornalista e escritor Eric Nepomuceno, amigo pessoal de Gabo e tradutor da maioria de suas obras para o português, conta que era do tom de voz do escritor que precisava lembrar  na hora de traduzir seus livros. “Recordava sua voz na mesa da cozinha, contando histórias e memórias. Esse é o tom que ele herdou da avó. Às vezes, enquanto traduzia, eu tomava o mesmo vinho branco daquelas conversas infinitas. Ajudava a recordar a voz, as pausas, a melodia da sua fala”.

Para Nepomuceno, essa aparente simplicidade é a prova do quão sofisticada é a escrita de García Marquez, mas o tradutor ressalta que não é a competência da linguagem o que torna a literatura de Gabo tão marcante. “A entrega total e irremediável à história, aos personagens, à narrativa. Ele escrevia com paixão, quase com volúpia. Não há uma só linha, no que ele escreveu, que não esteja impregnada de vida. Isso, para mim, ressalta muito mais do que técnicas narrativas, que ele dominava completamente. Se fosse apenas uma questão técnica, ele seria um redator formidável. Foi um escritor formidável porque acreditava no que escrevia”.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s