Sim, estamos falando daquela série britânica de viagem no tempo em uma cabine de polícia azul. Essa mesmo. A série de ficção científica televisiva de mais longa duração no mundo.

11. A série tem mais de 50 anos. Se não fosse boa, não duraria tudo isso, né?

Exibida pela primeira vez em 23 de novembro de 1963, a série da BBC aproveitou a o interesse pelo espaço característico da época para criar histórias de ficção científica voltadas ao público infantil. A ideia inicial de Doctor Who era despertar o interesse das crianças pela História, por meio de episódios que juntavam figuras reais e ameaças alienígenas.

Ao longo das 26 temporadas da chamada Série Clássica, exibidas entre 1963 e 1989, Doctor Who tornou-se parte da cultura e do dia-a-dia das famílias britânicas, alternando fases voltadas ao público infantil e períodos de temática mais adulta.

Em 1989, o programa deixou de ser exibido pela BBC. Mas mesmo fora da TV, Doctor Who seguiu no imaginário da Grã-Bretanha através de livros, áudios e homenagens.

Em 1996, a BBC produziu em parceria com a Universal e com a Fox um filme de Doctor Who. Com uma história controversa e americanizada demais, o longa não agradou, mas manteve-se no cânone de Doctor Who, por conta da elogiada atuação de Paul McGann como a 8ª encarnação do Doutor.

A série finalmente saiu de seu longo hiato e voltou a ser exibida pela BBC em 2005. Começava então, a Série Moderna.

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22. Mas você não precisa assistir a série clássica para entender a história

A chamada New Who começa em 2005 com o episódio Rose. E esse é o ponto mais adequado para entrar no mundo de Doctor Who. Isso porque a BBC estava de olho nas novas gerações, inclusive no público que nasceu durante o hiato da série, e por isso apostou em um roteiro que apresenta de forma bastante orgânica os personagens, principalmente o 9º Doutor, interpretado por Christopher Eccleston e sua companion Rose Tyler (Bilie Piper).

Mas aí vai um aviso importante: não desista da série depois do primeiro episódio. Rose está bem longe de integrar a galeria de melhores episódios e os efeitos especiais não são nenhum primor, inclusive têm uma cara meio Power Rangers, sabe?

Ao longo das temporadas isso vai melhorar bastante, mas até lá você se acostuma com os jeitinho meio cagado dos efeitos, isso porque o roteiro compensa muito bem.

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33. Uma série com diferentes gêneros, para diversos gostos e idades

Nem só de ficção científica vive Doctor Who. Terror, faroeste, investigação policial e aventuras históricas estão entre as diferentes “pegadas” da série. É possível ir de uma epidemia em uma base em Marte, à uma investigação de crianças desaparecidas na Segunda Guerra em poucos episódios. Talvez por isso Doctor Who encante tantas pessoas de diferentes idades* por tanto tempo. Fica difícil enjoar.

*Existe uma série derivada de Doctor Who para o público infantil: The Sarah Jane Adventures.  Torchwood é um spin off  para o público adulto – adulto mesmo. Com uma característica investigativa, a série é bem mais violenta que DW, e não economiza nos quesitos sangue e sexo.

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O lado terror de Doctor Who. Acredite, você nunca mais vai ver estátuas de anjo da mesma maneira.

44. Roteiros de escritores renomados

O escritor Douglas Adams, autor de O Guia do Mochileiro das Galáxias, foi roteirista de Doctor Who no final da década de 1970. É dele o roteiro dos episódios The Pirate Planet, City of Death e de Shada – episódio que nunca foi ao ar, mas que virou livro. (City of Death também foi publicado posteriormente como livro). Além disso, A vida, o Universo e Tudo Mais, terceiro volume do Guia do Mochileiro, foi escrito originalmente como um roteiro de Doctor Who.

Já na série moderna, Neil Gaiman, autor de Sandman e Deuses Americanos, usa o surreal e o obscuro de sua escrita em duas histórias de Doctor Who. Gaiman é responsável pelo roteiro dos episódios The Doctor’s Wife (6ª temporada) e Nightmare in Silver (7ª temporada). The Doctor’s Wife, inclusive, rendeu a Neil Gaiman o prêmio Hugo Award na categoria de Melhor Apresentação Dramática (Curta).

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55. O Doutor: um personagem com diferentes rostos e diferentes dilemas

Doctor Who? sempre será uma pergunta sem respostas definitivas. O mistério da identidade do Doutor de certa forma aumenta a medida que vamos descobrindo as diferentes camadas do personagem.

O Doutor é um dos seres mais poderosos do Universo, mas com seu jeito excêntrico, entusiasmado e diplomático, faz com que você esqueça disso na maior parte tempo. Exceto quando as coisas ficam feias e despertam a “ira do Timelord”. Aí meus amigos… é hora de conhecer sua face mais sombria e amarga.

O Doutor inicia a série moderna com o peso de ser o último de sua espécie e com a lembrança de uma guerra que destruiu seu planeta, fatores que fazem com que um personagem acostumado a escolhas difíceis se questione – mais de uma vez – se, de fato, é um “homem” bom.

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65. Personagens e dramas extremamente humanos

A série pode até ser sobre aliens e viagens no tempo em uma cabine de polícia, e ter efeitos visuais questionáveis. Mas não duvide: em algum momento você vai chorar pra caralho com Doctor Who.

Isso porque com a volta da série em 2005, o então showrunner Russel T. Davies, soube driblar o orçamento limitado, com o que sabia fazer de melhor: personagens muito bem construídos. Figuras “gente como a gente”, com as quais você facilmente vai se identificar e se emocionar. Principalmente os companions

Os companheiros de viagem do Doutor que são, de certa forma, a representação do público diante de um Timelord e das situações que ele enfrenta. São os companions que desenvolvem as mais profundas e, por vezes complicadas, relações com o Doutor. E mais do que isso, são responsáveis por resgatar a humanidade do personagem em situações extremas. O Doutor não deve viajar sozinho, e você logo vai entender porque.

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Te desafio a assistir o episódio com o pintor Van Gogh sem derramar uma única lágrima.

77. Vilões memoráveis

Não vou nem entrar no mérito de ciborges que eliminam toda emoção humana, ou de alienígenas que podem assumir a forma de qualquer pessoa. Nem de estátuas que só se movem quando não estão sendo observadas, ou de criaturas capazes de fazer com que você esqueça que elas existam…

Só vou dizer uma coisa: Daleks.

Depois de entender do que eles são capazes e de descobrir tudo que o Doutor perdeu por causa deles, você vai temer os Daleks.  Mesmo que eles sejam um saleiro gigante com uma batedeira e um desentupidor.

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88. E boas doses de humor

Cada encarnação do Doutor tem uma personalidade própria e cada um dos atores que interpretou/interpreta o personagem encontrou uma maneira diferente de criar situações engraçadas para dosar o drama a comédia na série.

Seja com um humor mais lúdico com danças bizarras ou o Doutor em uma partida de futebol (Matt Smith, o 11º Doutor foi jogador quase profissional antes de virar ator), até o jeito meio rabugento e extremamente escocês do 12º Doutor, as tiradas com características físicas dos atores, e até mesmo piadas adultas, a série sabe fazer rir e também rir de si mesma.

O destaque absoluto no quesito humor é a quarta temporada, em que David Tennant e a comediante Catherine Tate têm aquela que é provavelmente a melhor química entre Doutor e companion de toda a série.

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Toma essa, Robin Hood.

99. Interação com personagens históricos

Shakespeare, Van Gogh, Rainha Nefertiti, Churchill, Nixon, Agatha Christie, Hitler, Rainha Vitória… a lista de figuras históricas que aparecem na série moderna é grande. E é maior ainda na série clássica, já que um dos objetivos iniciais de Doctor Who era de fazer com que as crianças se interessassem em estudar a História.

Em alguns casos a série brinca com a relação do Doutor com algumas dessas personalidades – passamos algumas temporadas sem saber porque a Rainha Elizabeth I odeia o Timelord, por exemplo. Em outros casos, Doctor Who cria explicações ficcionais para mistérios reais, como o sumiço de Agatha Christie e peças perdidas de William Shakespeare.

Ah, e tem uma pequena cena da Elizabeth II, atual monarca britânica, de pijama e pantufas… Fica a dica.

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1010. Paralelos e discussões de temas sérios

É mais fácil justificar um genocídio se as vítimas em questão forem alienígenas e não humanos? É aceitável montar um camarote para assistir um planeta queimar? Se você soubesse que uma criança, quando crescesse, se tornaria uma pessoa terrível, um ditador, você conseguiria matá-la?

Estes são só alguns dos questionamentos que o Doutor e outros personagens têm diante de si em diversas histórias de Doctor Who.

Explorando o peso e as consequência de decisões difíceis, a série traz consigo inúmeras camadas políticas, abordando de forma nem sempre sutil, temas delicados como crimes e marcas da guerra, testes científicos, terrorismo e até mesmo a atual questão dos refugiados.

No fim das contas, os alienígenas e a viagem no tempo são apenas parte de uma metáfora muito mais precisa da nossa própria história.

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1111. Representatividade

É bem verdade que o Doutor continua sendo interpretado por homens brancos, mas Doutor Who costuma apostar na diversidade do elenco. Atrizes e atores negros já ocuparam papéis de generais, cientistas e rainhas… E de duas companions: a médica Martha Jones, na terceira temporada; e Bill, a nova companion da série, que será apresentada na décima tempotrada.

A série também acerta em abordagens fluidas e orgânicas de personagens LGBTs em sua narrativa. Os destaques são o casal Jenny e Madame Vastra; e o incrível Capitão Jack Harkness, que não apenas rouba a cena nos episódios de Doctor Who em que aparece, como também protagoniza a série derivada Torchwood.

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1212. Alto risco de vício

Se você sobreviveu aos efeitos precários do começo da New Who, as chances de continuar assistindo a série compulsivamente são grandes.

Apesar do número de temporadas assustar num primeiro momento, as diferentes encarnações do Doutor e os dramas e personagens que as acompanham são mais do que suficientes para manter o frescor da série e impedir que ela se torne cansativa ao longo dos episódios.

Doctor Who consegue manter um tom e um ritmo capaz manter o espectador envolvido e ansioso por mais histórias. Prova disso é o sofrimento que está sendo passar 2016 sem episódios novos da série.

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WARBônus: Próxima temporada em 2017

Mas se este ano sem Doctor Who não está sendo fácil para os fãs da série, também é a oportunidade perfeita para ver/rever toda a série antes da décima temporada. É só embarcar na Tardis e aproveitar que é maior por dentro!

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Um comentário em “12 motivos para assistir Doctor Who

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